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03/03/2010 - 18:01

CRIME DE LESA HUMANIDADE

Jafar Panahi

Nós da Mostra Internacional de Cinema manifestamos a nossa indignação pela prisão do cineasta e amigo Jafar Panahi pelo governo do Irã. Há tempo que este país com extraordinários cineastas persegue e censura os seus artistas e seus cidadãos em nome de interpretações radicais de dogmas religiosos. O totalitarismo religioso em forma de ditadura militar com a aliança de forças civis paramilitares tem espalhado o terror entre os iranianos, com brutalidade ainda mais cruel contra as mulheres iranianas. Ao longo de sua história de 34 anos, a Mostra Internacional de Cinema sempre lutou pela liberdade de expressão, onde fosse preciso, inclusive no Brasil, durante o regime militar.

É inaceitável o que o regime iraniano tem feito contra os seus opositores que não reconhecem a legitimidade de suas últimas eleições presidenciais. Mas a falta de liberdades no Irã antecede as últimas eleições contestadas como fraudulentas. E por todas as liberdades civis que sempre lutaram os seus cineastas, e que tantos prêmios acumularam em festivais internacionais ao redor do mundo. Antes de Jafar Panahi outro cineasta preso e perseguido foi Bahman Gohbadi, hoje exilado entre Estados Unidos e Alemanha.

A prisão de Jafar Panahi, a censura aos seus filmes e a sua proibição de seguir trabalhando são inaceitáveis e um crime de lesa humanidade. Nossa solidariedade a todos os resistentes iranianos.

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30/11/2009 - 12:38

MANOEL DE OLIVEIRA RECEBE ORDEM DO MÉRITO CULTURA E DEIXA CONTRIBUIÇÃO UTÓPICA PARA O PRESIDENTE LULA

Manoel de Oliveira recebe a Ordem do Mérito Cultural do governo brasileiro

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff

Na cerimônia de entrega das medalhas da Ordem do Mérito Cultural, dia 25 de novembro, no Rio de Janeiro, o cineasta português Manoel de Oliveira (101 anos em 16 de dezembro de 2009), um dos homenageados, deixou um manuscrito com o seu pensamento utópico como contribuição ao governo do presidente Lula. O cineasta também discutiu com o ministro da Cultura Juca Ferreira e Alfredo Manevi, secretário de Políticas Culturais, a possibilidade de rodar um filme no Brasil em 2010, inspirado em um conto de Machado de Assis. O Jornal da Mostra teve acesso exclusivo ao texto entregue por Manoel de Oliveira ao presidente Lula, e o revela a seguir. Com o título “Jogo tão real como utópico, mas imaginável para filmar”, o cineasta propõe, entre outras coisas, a abolição do dinheiro para salvar a economia em crise e as relações humanas:

´´ Este Jogo de uma realidade Utópica foi um dos meus inesperados achados, ocorrido como possível e imediata solução radical à atual crise econômica e seu reflexo mundial, ainda que aparentemente não realizável por parecer utopia, pois como afirmava Einstein: é mais fácil desintegrar um átomo do que mudar uma mentalidade.

Teimo, porém, em transpor por escrito esta minha idéia, ainda que de aparência utópica, no preciso momento em que a atual crise assola o mundo.

Alguém me perguntará:

a)– E qual a base dessa ideia, para salvar esta situação de crise? (Ao que responderei):

b)– A crise começou com a falência do primeiro banco nos EUA, e logo outros se lhe sucederam, com um refluxo financeiro mundial. A aplicação concreta deste pensamento teria por base a eliminação total do dinheiro, pois é nele que se consubstancia todo o mal. Eis uma tarefa, afigura-se-me, fácil, rápida e eficaz.

a)- Como eficaz?, se no dinheiro reside todo o poder de compra?

b)- Exatamente por isso. Acabaria a ideia de compra e venda e, em contrapartida, cada um manteria seu habitual lugar de trabalho, sendo o trabalho a garantia ao direito a todas as aquisições que fossem necessárias a cada um.

a)- E cada um podia ter tudo quanto quisesse?

b)- Claro. Tudo o que lhe fosse necessário e igual para todos. Até porque assim se anularia por completo a pobreza.

a)– E o que se faria do dinheiro e das diferentes moedas que são inúmeras?

b)– Em primeiro lugar, o dinheiro apenas representa trabalho. Dinheiro é trabalho. E trabalho, sim, será sempre indispensável a este ou qualquer outro processo. Assim como a Europa reduziu suas diferentes moedas ao Euro, assim seriam eliminados os Euros e todas as demais moedas, pois que o dinheiro, repito, não representa senão, e só, o esforço do nosso trabalho. O dinheiro, quer em metal ou papel, seria totalmente reciclado. E, ao contrário do adágio, diríamos: nada perdeste e muito ganhaste.

a) – E como proceder sem dinheiro, por exemplo, no caso de alguém querer comprar uma quinta… ou vendê-la por já não poder tratar mais dela?

b) – Muito simplesmente cedendo-a a quem estivesse interessado nela, tal como se fosse oferecida, mudando-se apenas o registro para o nome do novo proprietário.

a) – Quer disser então que a propriedade persistiria?

b) – Naturalmente. No novo sistema continuaria em tudo exatamente como o atual, tintim por tintim, segundo a ordem do antigo sistema, mantendo-se a posse de bens e os diferentes tipos de postos de trabalho. Só acabava o sistema financeiro. Mas continuariam cedências, aquisições e trocas, e sempre que se oferecessem tais casos seriam feitos em mútua e plena concordância, sem qualquer ajuste de valores.

a) – E tudo isso porquê?

b) – Ora porquê! Antes de mais, para dar conserto imediato à atual crise financeira e ao nosso tipo de vivência, eliminar a pobreza e roubos, pois todo o indispensável para cada um viver estaria sempre disponível para todos e por igual.

a) – Para todos?

b) – Claro, para todos! Fossem os do mundo governamental, judicial, educacional, cultural, industrial, comercial, médico, hospitalar ou farmacêutico etc, etc… Quer para funcionários, operários, como para dirigentes ou dirigidos, enfim aos servidos com aos servidores, todos beneficiariam dos serviços comuns que estariam abertos como habitualmente o estão no sistema atual.

a) – Quer dizer que ninguém precisava trabalhar?

b) – Ah!, isso é que não! Muito pelo contrário, ninguém abandonaria o seu posto de trabalho. O trabalho seria justamente a mola real de todo este novo sistema. Ele seria o fundamento indispensável combater a fome e o frio. Se o trabalho não existisse, isso sim, seria a pior das crises, como acontece hoje às pessoas que são vítimas desses flagelos e que, numa grande parte, se encontram desempregados. O trabalho de cada um seria a garantia deste novo sistema, justificando o direito à obtenção livre do que fosse necessário. O bilhete de identidade constituiria a garantia de seu posto de trabalho, a posse dos seus haveres e de tudo mais que necessitasse.

a) – E não haveria quem fugisse ao seu posto de trabalho e continuasse a beneficiar das regalias oferecidas?

b) – Todo aquele que fugisse ao seu trabalho, isto é, à função do seu afazer, não importava quem nem qual, sofreria a justa punição. Para isso lá estaria a justiça e a governação.

a) – E como se controlaria isso tudo?

b) – Ora aí está. Não como foram controlados os bancos antes da crise; mas, eliminando o dinheiro, logicamente desapareceriam os bancos.

a) – E o que fariam, então, os seus dirigentes e funcionários?

b) – Dirigentes e funcionários, de qualquer tipo de instituições financeiras, passariam a ser complementares à distribuição e à organização de todos os trabalhos, dos empregados, e da sua fiscalização dos trabalhos de todos e de cada um em particular, dando dignidade por igual ao seu trabalho de cada um, fosse ele qual fosse. E assim nunca haveria o risco do desemprego. Tudo o mais continuaria à semelhança do atual viver, em todas as profissões com total igualdade entre as obrigações e regalias do novo sistema, distinções qualificativas na qualidade dos trabalhos de cada um, quer no dos dirigentes ou dirigidos, no campo político, comercial e industrial, nas artes ou qualquer outro ramo de trabalho.

a) – Mas tudo isso se me afigura um tanto utópico?

b) – O que na verdade mais me perturba é essa sempre tão pronta descrença na possibilidade desta real proposta, assim tão prontamente suposta utópica. O que realmente se me afigura utópico seria chegar a um universal acordo de vontades. E isto sim, é que realmente se torna utópico. Cada cabeça cada sentença. Mas se fosse possível levar esta idéia à prática, todos viveríamos equilibradamente, e não haveria falências, nem desempregados, nem pobres, nem assaltos, nem roubos, por de todos inúteis. E até já ninguém pensaria mais nessa coisa que contraria o amor ao próximo, que é esse velho frenesi do poder que, aliás, o próprio sistema econômico em muito proporciona; ou essa outra ânsia, a da posse de bombas atômicas. Eis a última ameaça nascida daquilo a que nós chamamos de Civilização. Vem a propósito, um curiosa reflexão do meu bom amigo Bernard Despomadères. Contava-me ele como através dos tempos se foi aligeirando o processo de compras que nos primórdios se processava trocando animais, produtos ou objetos.

Bernard explicou-me, como através dos tempos, se foi simplificando e agileirando esse processo de trocas através da invenção do dinheiro, que começara a ser representado por moedas grossas muito pesadas em diferentes metais; mais tarde, essas moedas foram agileiradas e substituídas por notas de papel, simplificando-se mais ainda com a introdução de livros de cheque; e surgiram depois os cartões de crédito, sendo agora até é possível transacionar através da Internet. Repara-se agora como com a minha dita utópica proposição se chagaria à total simplificação nas transações que passariam a ser efetuadas unicamente pela troca do trabalho de cada um. Pois que dinheiro não representa senão trabalho. Nesse novo sistema, o trabalho não seria tido como uma maldição porque adquiriria, como se disse, uma significativa dignidade.

A obrigatoriedade do trabalho seria como um prêmio fundamental para cada um se ocupar da sua função social e ganhar o direito à sua subsistência, tal como por igual acontece com os animais selvagens que dia após dia ocupam todo seu tempo à procura do alimento, como nos confirma a sábia lei – ganharás o pão de cada dia com suor do teu rosto. E não há outro modo, mesmo para o dotado Brasil tão rico em quantidade e na qualidade de variadíssimos e deliciosos frutos“

Manoel de Oliveira


Fernanda Montenegro com Manoel de Oliveira na cerimônia da Ordem do Mérito
Cultural no Rio de Janeiro

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06/11/2009 - 11:40

Filme coreano “Voluntária Sexual” leva o Troféu Bandeira Paulista da 33ª Mostra

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Marcelo Cobra, para o Jornal da Mostra

Na quinta-feira, 5 de novembro, a Cinemateca Brasileira foi cenário para a cerimônia de encerramento da 33ª Mostra, conduzida pelos apresentadores Marina Person e Serginho Groisman. O evento contou ainda com o anúncio dos filmes que se destacaram na edição deste ano do festival, em uma eleição realizada em parceria com o público e com o júri especializado. O grande vencedor foi o coreano VOLUNTÁRIA SEXUAL, que levou o Troféu Bandeira Paulista de melhor filme.

A premiação foi atrapalhada por uma leve chuva, mas o diretor Cho Kyong-duk tomou-a como um bom sinal. “Quando eu era criança, sempre ia melhor nas provas em dia de chuva. Quando vi o tempo mudar nesta noite, pensei que não podia ser mera coincidência”, brincou.

O júri internacional – formado pelos diretores Ali Özgentürk, Goran Paskaljevic, Marco Bechis e Suzana Amaral, além do crítico Jean-Michel Frodon – também elegeu a produção sueca OS DISPENSÁVEIS, de Andreas Arnstedt, em duas categorias: melhor diretor e melhor ator para André Hennicke. Arnstedt, visivelmente emocionado, agradeceu o reconhecimento e a oportunidade de participar da Mostra. “É um grande momento para mim. É a primeira vez que venho a um festival na América Latina e já sou premiado. Estou começando uma nova fase da minha e convido todos vocês para acompanhá-la”, afirmou.

Na categoria documentário, o Troféu Bandeira Paulista foi entregue ao francês O INFERNO DE CLOUZOT, de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea. Também se destacou com menção honrosa do júri o brasileiro O ABRAÇO CORPORATIVO, de Ricardo Kauffman, que subiu para receber o prêmio.

Já a crítica especializada, representada pela jornalista Silvana Mascagna, do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, elegeu como melhor longa internacional o filme NINGUÉM SABE DOS GATOS PERSAS, do iraniano Bahman Ghobadi. O diretor, que não pôde comparecer à premiação, enviou uma carta de agradecimento. “Estou muito triste por não estar aí hoje, participando desse que é um dos melhores festivais do mundo. Mas também feliz porque sempre sou premiado na Mostra”, escreveu.

A crítica apontou ainda o filme O SOL DO MEIO-DIA, de Eliane Caffé, como o melhor longa brasileiro. “Esse prêmio é maravilhoso, uma surpresa muito grande. Foi um filme muito duro de fazer, e é muito bom colher os resultados”, comentou a diretora.

Como sempre, o público que compareceu às sessões da 33ª Mostra também pôde eleger suas produções favoritas. O prêmio de melhor longa internacional foi marcado por um empate entre o espanhol ABRAÇOS PARTIDOS, de Pedro Almodóvar, e o australiano O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO, de Bruce Beresford. Na categoria longa-metragem brasileiro, sagrou-se vencedor o filmeCARMO, de Murilo Pasta. “Sou filho da Mostra e tenho muito orgulho de estar aqui. Faço o que faço para que o público veja, por isso esse prêmio é muito importante”, disse o diretor.

Entre os documentários, o público destacou o brasileiro DZI CROQUETTES, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez, e o espanhol TOM ZÉ – ASTRONAUTA LIBERTADO, de Ígor Iglesias Gonzáles. “Já amava essa cidade, e agora quero ficar aqui para sempre”, contou Gonzáles.

A noite foi marcada ainda pela entrega do Prêmio Humanidade para o diretor e produtor italiano Gian Vittorio Baldi, anunciado por Leon Cakoff e Renata de Almeida, diretores da Mostra. “O Brasil é um dos países mais importantes para o cinema no mundo. Esse é um festival maravilhoso, que inovou ao promover a Mostra Online, iniciativa que abre caminho para o futuro do cinema”, afirmou Baldi.

Confira os premiados da noite:

PRÊMIOS DO JÚRI – FICÇÃO

Melhor Filme: VOLUNTÁRIA SEXUAL (Coréia do Sul), de Cho Kyeong-Duk
Melhor Diretor: Andreas Arnstedt, por OS DISPENSÁVEIS (Alemanha)
Melhor Ator: Andrè Hennicke, de OS DISPENSÁVEIS (Alemanha)

PRÊMIOS DO JÚRI – DOCUMENTÁRIO

Melhor Filme: O INFERNO DE CLOUZOT (França), de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea
Menção Honrosa: O ABRAÇO CORPORATIVO (Brasil), de Ricardo Kauffman

PRÊMIOS DA CRÍTICA

Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: NINGUÉM SABE DOS GATOS PERSAS (Irã), de Bahman Ghobadi
Melhor Longa-Metragem Brasileiro: O SOL DO MEIO-DIA, de Eliane Caffé

PRÊMIOS DO PÚBLICO

Melhor Longa-Metragem Brasileiro: CARMO, de Murilo Pasta
Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: ABRAÇOS PARTIDOS (Espanha), de Pedro Almodóvar e O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (Austrália), de Bruce Beresford
Melhor Documentário em Longa-Metragem Brasileiro: DZI CROQUETTES, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez
Melhor Documentário em Longa-Metragem Estrangeiro: TOM ZÉ – ASTRONAUTA LIBERADO(Espanha), de Ígor Iglesias Gonzáles
Prêmio da Juventude: SAÍDA A NADO (Suécia), de Måns Herngren

PRÊMIOS ITAMARATY

Melhor Longa-Metragem de Ficção: ANTES QUE O MUNDO ACABE, de Ana Luiza Azevedo
(também recebeu os Prêmios Quanta e Teleimage)

Melhor Documentário em Longa-Metragem: DZI CROQUETTES, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez
(também recebeu os Prêmios Quanta e Teleimage)

Melhor Curta-Metragem: INSONE, de Marília Scharlach e Marina Magalhães
(também recebeu o Prêmio Teleimage)

Prêmio Especial – Homenagem pelo Conjunto da Obra: Paulo César Saraceni

PRÊMIO AQUISIÇÃO CANAL BRASIL

Melhor Curta-Metragem: O PRÍNCIPE ENCANTADO, de Sérgio Machado e Fátima Toledo

33ª Mostra divulga programação extra

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05/11/2009 - 16:43

“Brasil é mais generoso com os grafiteiros”, dizem Os Gemeos em debate na 33ª Mostra


Os Gemeos, Gustavo Pandolfo e Otávio Pandolfo e Robert Kaltenhauser (diretor de
‘Arte Inconsequência’)

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Marcelo Cobra, para o Jornal da Mostra

A 33ª Mostra promoveu, na quarta-feira dia 4 de novembro, uma sessão do documentário alemão ARTE INCONSEQUÊNCIA, seguida por um debate com o diretor Robert Kaltenhäuser e com a dupla Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecida como Os Gemeos, que neste ano assina a arte do cartaz da Mostra. O evento foi aberto ao público e contou com a mediação do apresentador Serginho Groisman. “Fiz um documentário atípico”, disse Kaltenhäuser. “Acho que vocês vão gostar”.

O documentário apresenta o trabalho de um grupo de grafiteiros que faz ilustrações sobre trens do transporte público alemão. O diretor comentou como a sociedade encara o grafite na Europa e as consequências para os adeptos da prática. “Na Alemanha, é uma manifestação completamente ilegal, especialmente quando é feita sobre transportes públicos”, contou. “A polícia investiga muito e, se conseguem provar que alguém participou dos trabalhos, eles vão cobrar. Você pode ir preso até 30 anos depois”.

Kaltenhäuser disse ainda que, no Brasil, a situação dos grafiteiros parece um pouco mais liberal. “Participei de uma ação no Recife em que fui convidado para desenhar nos trens. O Brasil é um dos únicos lugares do mundo que já permitiu alguma vez de maneira oficial essa expressão de arte”, afirmou.

A dupla Os Gemeos aproveitou para expor suas impressões sobre o documentário. “Esses artistas que aparecem no filme pintam nos trens desde os anos 80, são pioneiros. Valorizamos muito esse trabalho”, disseram. “As viagens que fizemos para a Alemanha nos ensinaram a lidar com o proibido. Lá é crime mesmo. No Brasil também há o lado transgressor, mas a situação é muito mais generosa”, completaram.
Grafite x Pichação

Para os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo, a essência do grafite e da pichação está na transgressão. “Se existe a lei que proíbe, é preciso encontrar jeitos de burlá-la”, disseram. “A pessoa precisa enfrentar todos os desafios, sempre respeitando os outros. Isso é o mais importante, não importa se é grafite ou pichação”.

O diretor Robert Kaltenhäuser também falou como é o processo criativo dos grafiteiros, que trabalham sempre sob muita pressão. “Você precisa estar preparado para fazer o trabalho em pouco tempo”, disse. A dupla Os Gemeos disse que todo o seu trabalho é resultado do que aprenderam nas ruas. “Começamos nas ruas e depois fomos para galerias e exposições. E nas ruas, aprendemos a trabalhar com muita agilidade”, completaram.

Para concluir, os irmãos disseram que o essencial é que cada viva sua própria experiência. “Cada um tem seu motivo, é um trabalho muito pessoal. É preciso completar seu objetivo, independente de tudo”.

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05/11/2009 - 15:15

“O perfume de revolução estava no ar”, diz italiano Gian Vittorio Baldi sobre seus filmes dos anos 60

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra”

Homenageado pela 33ª Mostra com uma retrospectiva de sua carreira e com o Troféu Humanidade, o diretor e produtor Gian Vittorio Baldi participou de debate na FAAP, nesta quarta-feira, dia 4 de novembro, após a exibição do curta-metragem O Bar de Gigi e do longa Fogo!. Leon Cakoff, diretor da Mostra, divulgou na ocasião que Baldi integra o elenco de diretores que participam do longa Mundo Invisível, que está sendo produzido pela Mostra.

O curta dirigido por Baldi em São Paulo junta-se aos trabalhos já realizados por Theo Angelopoulos, Wim Wenders e Manoel de Oliveira. Cakoff disse que a última parte do longa será o curta de Hector Babenco, e que “o sonho é exibir o filme na 34ª Mostra de 2010”.

Ao dirigir-se aos alunos da FAAP que participaram do debate, Baldi disse que o filme Fogo! tem um argumento metafórico relacionado à atmosfera que havia em 1968, ano de sua realização. “Havia o perfume de revolução no ar”, disse, explicando que o protagonista do filme não suporta o mundo em que vive, lutando contra religião, estado e família. Por isso, mata todos da família, preservando apenas a filha. “É significativo que não mate a menina”, disse Baldi, “porque ela representa o futuro”.

O diretor também detalhou a parte técnica, explicando que a realização foi totalmente diferente do normalmente utilizado. O filme foi rodado exatamente na sequência em que é exibido, e não houve montagem. O som também é direto, exigindo silêncio logo após a batida da claquete. Para realizar o filme dessa forma, Baldi disse ser necessário planejamento e a realização de algumas tomadas diferentes da mesma cena.

Ao falar dos diretores com os quais trabalhou, Baldi, que também teve longa carreira como produtor, disse que sempre procurou ajudar os novos talentos e, depois de escolhida a obra, jamais interferiu na realização. Enfrentou dificuldades com alguns deles, que mentiam ou não cumpriam os prazos de realização.

Entre os diretores que lhe deram trabalho, Baldi destacou o francês Robert Bresson, “um gênio até hoje respeitado”, mas que o torturou, porque prometia realizar o filme em quatro semanas e levava um ano para fazê-lo. Em contrapartida, Pier Paolo Pasolini foi a pessoa mais séria que encontrou, que “filmava tudo sob todos os ângulos e criava o filme na montagem”, explicou.

Segundo ele, Pasolini não dirigia os atores, dizia apenas uma vez o que queria e os deixava à vontade. Já Vittorio De Sica repetia todas as falas, “batia o texto” com os atores. Roberto Rossellini criava situações reais para que os atores chegassem ao sentimento exigido pelo personagem.

Por fim, o italiano falou sobre seus novos projetos. Após parabenizar Cakoff pela realização da Mostra Online, que permite ao espectador assistir alguns dos filmes da 33ª Mostra pela internet, Baldi revelou que também usará esse novo instrumento em seu próximo filme, permitindo que o público participe da produção. Para Baldi, a internet é “um caminho para o futuro do cinema”.

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04/11/2009 - 20:50

“A luz tem seus segredos”, ensina o diretor de fotografia Christian Berger em oficina na FAAP

Edição: Leon Cakoff e Renata de Almeida
Redação: Thiago Stivaletti e Marcelo Cobra, para o Jornal da Mostra

O austríaco Christian Berger, diretor de fotografia dos filmes de Michael Haneke, como A FITA BRANCA, promoveu nesta quarta, dia 4 de novembro, uma oficina na FAAP com estudantes de cinema e o público interessado no tema.

Berger começou tirando todos os alunos da sala de aula e levando-os ao monumental saguão de entrada da FAAP. A uma das alunas, ele pediu para descrever a luz do ambiente – por onde ela entrava, como se refletia nos elementos, a “qualidade” das sombras geradas.

“A luz tem seus segredos. Existem dois tipos de trabalho a ser feito com ela. O primeiro é criar uma ambientação natural – se você conseguir reproduzir em estúdio a luz da natureza, já é um grande trabalho. O outro é criar todo um sistema próprio de iluminação, que não siga os preceitos naturais”.

O diretor de fotografia lembrou que hoje, com a tecnologia, as possibilidades são infinitas. “Não precisamos mais da luz para tornar um ambiente iluminado. Os diferentes tipos de película e pós-produção digital podem servir a um diretor”. E minimizou a importância dos equipamentos caros para iluminação no set. “Os produtores costumam ter essa noção errada de que tudo deve ser maior, mais caro, mais rápido. Para o diretor de fotografia, isso não tem nada a ver com sua criatividade, o desenho de luz que vai construir”.

Questionado sobre o que torna um trabalho de fotografia excepcional, Berger disse não ter uma resposta. “Qual a diferença entre uma bela mulher e outra excepcionalmente linda? A imagem precisa ter vida, é uma combinação rara de muitos elementos, algo mágico”, afirmou. “A boa fotografia tem muito a ver com luz e precisão”, completou.

Berger contou que promove todo ano um seminário no qual leva um grupo de estudantes para uma ilha sem luz artificial. Em uma das atividades, o grupo se reúne da madrugada até o amanhecer para captar as diferenças de luz de cada período. “É algo que se precisa vivenciar e sentir. Não adianta só ler a teoria no livro”, disse.

Em seguida, ele convocou os alunos para observarem obras do pintor dinamarquês Vilhelm Hammershoi (1864-1916), uma das referências que utilizou em A FITA BRANCA. Hammershoi tinha uma obsessão particular em retratar portas, janelas e quartos, e trabalhava muito com a noção de perspectiva. “Ele nunca saía de seu apartamento, só quando era forçado a se mudar. Sua maior lição é trabalhar com pouco contraste, sem luz forte. Fica claro e muito mais profundo”, expôs.

“Qualquer filme que trate de medo e culpa tem influência de Bergman”, diz Christian Berger, fotógrafo de A FITA BRANCA

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04/11/2009 - 18:15

O cinema pautou minha carreira jornalística, diz Gilberto Dimenstein em Os Filmes da Minha Vida

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra”

O jornalista Gilberto Dimenstein, colunista do jornal Folha de S.Paulo e da Rádio CBN, encerrou o segundo ciclo de Os Filmes da Minha Vida, promovido pela 33ª Mostra, afirmando que o impacto causado pelos filmes que assistiu influenciaram ou modificaram o rumo de sua carreira jornalística.

Dimenstein contou que as imagens de Iracema – Uma Transa Amazônica (1974, de Jorge Bodanzky) lhe fizeram criar uma pauta sobre prostituição infantil. Com recursos oferecidos pela Fundação MacArthur, foi possível realizar uma pesquisa sobre o tema em todo o Brasil, que resultou no livro Meninas da Noite – A Prostituição de Meninas-Escravas no Brasil (1992).

Ao entrar em contato com essa realidade, Dimenstein passou a se interessar por educação, lançando livros educacionais adotados por várias escolas.

Outro filme que pautou sua vida profissional foi Pixote, a Lei do Mais Fraco (1981, de Hector Babenco), que o levou a pesquisar o assassinato de crianças no Brasil e também o fizeram criar ONGs para educar crianças carentes. “Babenco pautou minha vida”, explicou. Também essas pesquisas levaram à edição de um livro, desta vez A Guerra dos Meninos: Assassinatos de Menores no Brasil (1990), que depois se tornou o filme A Guerra dos Meninos (1991), de Sandra Werneck.

Porém, o primeiro filme marcante da sua vida foi Casinha Pequenina (1963), de Mazzaropi, que ele assistiu quando tinha sete anos de idade, levado pela família porque era aniversário de uma prima. Foi marcante “porque descobri que arte emocionava”, algo que não sabia até então.

Os depoimentos colhidos durante a 33ª Mostra serão reunidos na segunda edição do livro Os Filmes da Minha Vida, a ser lançado em 2010 pela Imprensa Oficial, durante a 34ª Mostra.

Há filmes que exigem maturidade para serem vistos, diz Eliane Caffé em Os Filmes da Minha Vida

As circunstâncias determinaram os filmes da minha vida, diz Ugo Giorgetti

De Carlos Manga a Jia Zhang-Ke, os filmes da vida de Marcelo Gomes

“Gosto dos momentos errados dos cineastas”, diz Isay Weinfeld em Os Filmes da Minha Vida

“‘E o Vento Levou’ me ensinou a contar história com uma câmera”, diz Suzana Amaral em Os Filmes da Minha Vida

Filme favorito muda a cada escolha, diz Sérgio Machado em Os Filmes da Minha Vida

Falar sobre filmes é tão prazeroso quanto vê-los, diz Luiz Carlos Merten no ciclo os Filmes da Minha Vida

Dos filmes infantis a “Calígula” na 5ª Mostra, Serginho Groisman fala dos filmes de sua vida

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04/11/2009 - 15:34

“Filmes independentes são feitos do mesmo jeito aqui e nos EUA”, diz Rodrigo Santoro em debate de I LOVE YOU PHILIP MORRIS

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Marcelo Cobra, para o Jornal da Mostra

A 33ª Mostra promoveu na terça-feira, 3 de novembro, uma sessão especial da comédia I LOVE YOU PHILIP MORRIS, que contou com a presença dos diretores americanos John Requa e Glenn Ficarra, além do ator Rodrigo Santoro, que atua no filme ao lado de Jim Carrey e Ewan McGregor.

O debate contou com a mediação de Rubens Fernandes Jr., diretor da FAAP, e do apresentador Serginho Groisman. Antes do início da sessão, o ator Rodrigo Santoro disse estar muito orgulhoso de exibir a produção na Mostra. “Este filme foi exibido só nos Festivais de Cannes e Sundance, e esta é sua terceira exibição mundial”, contou.

Santoro contou detalhes da preparação para o seu papel de primeiro namorado do personagem de Jim Carrey. “O que eu fiz foi perder muito peso por causa da doença do personagem. Também tivemos uma semana de preparação em Miami. Procurei ouvir ainda muita música dos anos 80, relembrei bastante minha adolescência”.

Os diretores comentaram a dificuldade de distribuição do filme. “Nunca nos importamos muito com o fato de ser um filme que trata da homossexualidade. Mas as produtoras estão arriscando menos, não querem perder dinheiro. Em Sundance, não recebemos muitas ofertas boas. Há um questionamento se o público americano aceitaria um filme gay, mas fizemos várias sessões de teste e tivemos uma ótima aceitação. É uma história de amor, e o público adorou”.

Para Santoro, não há grandes diferenças entre os filmes independentes brasileiros e os americanos como I LOVE YOU PHILIP MORRIS. “No final das contas é tudo igual. É um filme independente, feito na raça. Os atores principais – Ewan McGregor e Jim Carrey – não cobraram cachê. Eles fizeram o filme porque gostaram do projeto. Até mesmo o processo de finalização não muda muito. Finalizar um filme demora muito em qualquer lugar do mundo”.
Rótulo gay

Questionado se tem medo de ficar rotulado após interpretar personagens gays, o ator disse não se preocupar com isso. “São trabalhos muito diferentes, estava certo de que não ia repetir a experiência. Vou responder a pergunta de forma matemática. Fiz mais de dez filmes em que os personagens são heterossexuais e também corro o risco de ficar rotulado assim, o que no caso eu sou. Minha única preocupação é com o personagem e suas emoções”, afirmou.

Segundo os diretores, o filme não sofreu preconceito do público que já o assistiu. “Tivemos muito apoio e aprovação. O filme mostra pessoas reais. São apenas duas pessoas apaixonadas. Sempre que exibimos em organizações gays, as pessoas agradecem muito por se engraçado e não dramático”, disseram os diretores.

Para terminar, Santoro fez um balanço de sua carreira até o momento. “Foi uma coisa que cruzou meu caminho e resolvi seguir. Percorri festivais internacionais com o filme BICHO DE 7 CABEÇAS (2001), de Laís Bodanzky, e isso me deu a oportunidade de conhecer um mundo novo e entrar em contato com pessoas diferentes. O ABRIL DESPEDAÇADO (2001), do Walter Salles, foi comprado pela Miramax, que o lançou em Los Angeles. E lá eu fui abordado por novos agentes. No começo tinha receio, mas as coisas foram acontecendo. Hoje continuo caminhando devagar, analisando todas as propostas, e tem sido uma grande aventura”, concluiu o ator.

Leia mais sobre o filme

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04/11/2009 - 14:09

33ª Mostra e Imprensa Oficial promovem lançamento do livro Os Filmes da Minha Vida no Conjunto Nacional


De pé: Bruno Barreto, Daniela Thomas, Rubens Ewald Filho e Hubert Alquéres
Sentados: Marco Bechis, Leon Cakoff, Renata de Almeida e Inácio Araújo

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra

Na noite da terça-feira, dia 3 de novembro, a 33ª Mostra e a Imprensa Oficial do Estado promoveram o lançamento do livro Os Filmes da Minha Vida. O livro reúne os depoimentos do primeiro ciclo de apresentações, realizado em 2008, na 32ª Mostra.

O crítico Rubens Ewald Filho, um dos depoentes do livro, disse que o ciclo e o livro “humanizam os depoentes, tirando-os da redoma de vidro que eles mesmos se colocam ou que as pessoas os colocam”.

Inácio Araújo, crítico de cinema da Folha de S.Paulo, considerou que participar do ciclo de depoimentos e do livro possibilitou a “satisfação de repassar a vida em filmes, relembrando momentos felizes ou tristes”.

Renata de Almeida, diretora da Mostra, disse que foi uma “experiência surpreendente”, pois era uma proposta de lembranças e não de algo estudado e preparado. “O livro eterniza o pensamento”, disse Renata, destacando o trabalho primoroso realizado pela Imprensa Oficial.

Leon Cakoff, diretor da Mostra e coordenador do livro, explicou que é “mais uma criação da Mostra que vai deixar um lastro”. Ressaltou ainda que há uma dialética muito forte no livro, pois o projeto será uma série com vários depoimentos e novos volumes, com novas produções que se tornarão filmes da vida de alguém”.

Diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado, o professor Hubert Alquéres, que também tem seu depoimento no livro, diz que, quando se lê o conjunto de depoimentos, “é incrível como há coisas em comum a essa geração de pessoas”. O professor considerou ainda que o livro é “uma grande provocação para que as pessoas façam suas próprias listas de filmes da sua vida”, um exercício que ele recomenda.

A cineasta Daniela Thomas considerou “genial” o ciclo de depoimentos e o livro, pois “cineasta é cinéfilo, e os leitores vão se identificar com essa coisa apaixonada que é o cinema”.

O diretor Bruno Barreto apontou o significado emocional dos depoimentos, considerando-os “sessões psicanalíticas”. Disse ainda ter muita curiosidade de ler os outros depoimentos, pois foi uma “ideia brilhante” transformá-los em livro.

Já para o diretor Marco Bechis, que mora na Itália, o ciclo de depoimentos e o livro fazem “uma renovação” na forma de fazer cinema, pois para ele, ambos são também uma maneira de realizar um produto de cinema.

O livro Os Filmes da Minha Vida reúne depoimentos de Leon Cakoff, Hubert Alquéres, Rubens Ewald Filho, Carlos Reichenbach, Daniela Thomas, Bruno Barreto, Inácio Araújo, Helena Ignez, Marco Bechis, Hector Babenco e Renata de Almeida.

OS FILMES DA MINHA VIDA

225 págs., R$ 30. Editora: Imprensa Oficial

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03/11/2009 - 18:25

Há filmes que exigem maturidade para serem vistos, diz Eliane Caffé em Os Filmes da Minha Vida

Edição: Leon Cakoff, Renata de Almeida e Thiago Stivaletti
Redação: Beth Andalaft, para o “Jornal da Mostra

Para a cineasta Eliane Caffé – presente na 33ª Mostra com O Sol do Meio-Dia – participar do segundo ciclo de Os Filmes da Minha Vida, promovido pela 33ª Mostra, na terça-feira 3 de novembro, foi “um exercício que a ajudou a organizar os filmes que já assistiu”.

Eliane explicou que nem sempre “os filmes que mais me impressionaram e que ficaram em minha vida são aqueles dos quais eu mais gostei”. Ela exemplificou com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964, de Glauber Rocha) que, na época, era obrigatório gostar. Eliane não conseguia entender e nem gostar do filme. Mas, ao revê-lo anos depois, ficou “maravilhada”, pois o filme é “excepcional”.

Segundo ela, há filmes que exigem certa maturidade para serem entendidos. Como o russo Andrei Rublev (1969), de Andrei Tarkovsky, que ela detestou de início e depois passou a apreciar, à medida que foi revendo.

A cineasta começou sua relação com o cinema na infância, levada pelo pai às matinês, aos domingos, para assistir os desenhos animados de Tom e Jerry. Os pais e os irmãos se reuniam para assistir filmes na TV aos sábados à noite ou iam juntos ao cinema.

Eliane, que é psicóloga por formação, explicou que não foi movida por uma paixão por cinema que resolveu trabalhar na área. O interesse surgiu quando ela fez uma pesquisa para o curso de Psicologia e se sentiu bem no set de filmagens.
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