Publicidade
02/07/2009 - 13:05

CINEASTA IRANIANO É PRESO POR “EXCESSO DE CRÍTICAS”

CINEASTA IRANIANO É PRESO POR “EXCESSO DE CRÍTICAS”
Bahman Ghobadi

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

Depois da festejada participação de Bahman Ghobadi no recente 62º Festival de Cannes, onde o seu poderoso documentário KASI AZ GORBEHAYE IRANI KHABAR NADAREH/ NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS abriu a seção Un Certain Regard (Jornal da Mostra nº 635) e de lá saiu com o Prêmio Especial do Júri, pouca gente soube do destino do cineasta. Pois, segundo revelação do jornal de entretenimentos britânico Screen International, Ghobadi foi preso assim que deixou Cannes de volta para o Irã e só foi libertado sob pagamento de fiança em 9 de junho. O argumento do regime para prender o cineasta: “excesso de críticas”.

Bahman Ghobadi, de origem curda, é o cineasta iraniano que mais tem acumulado prêmios internacionais e também o que mais se expõe para desafiar as ultraconservadoras autoridades religiosas do seu país. Seu nome está também ligado ao da jornalista americana Roxani Saberi, noiva de Ghobadi e co-roteirista de NO ONE KNOWS ABOUT PERSIAN CATS. Ela foi condenada a oito anos de prisão sob acusação de espionagem, solta pouco antes do início do Festival de Cannes com os protestos e pressões internacionais.

De fato, ao revelar a mobilização clandestina dos jovens iranianos inconformados com o conservadorismo do regime, o seu filme, realizado igualmente na clandestinidade e em apenas 17 dias, antecipou a insurreição e a desobediência civil que se espalhou pelo Irã logo após os resultados contestados das eleições presidenciais. O filme observa como jovens se mobilizam através da internet para ouvir bandas de rock, rap e hip-hop em concertos e reuniões não autorizadas pela violenta censura moral aplicada pelo regime dos aiatolás. Graças a ajuda da produtora francesa Wild Bunch, o novo filme de Ghobadi escapa desta censura de expressão e poderá ter distribuição internacional.

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
26/06/2009 - 19:04

Chevalier de l`Ordre des Arts et des Lettres

Chevalier de l`Ordre des Arts et des Lettres

Leon Cakoff e o cônsul da França em São Paulo, Sr. Jean-Marc Gravier

Leon Cakoff, diretor da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, recebeu na noite do dia 25 de junho a Medalha da Ordem  das Artes e das Letras do governo francês, sendo nomeado Chevalier de l`Ordre des Arts et des Lettres pelo cônsul da França em São Paulo, Sr. Jean-Marc Gravier, em nome da Ministra da Cultura e da Comunicação da República Francesa, Sra. Christine Albanel. Na ocasião, Jean-Marc Gravier ressaltou que a distinção se devia ao trabalho desenvolvido por Leon Cakoff pela difusão não só da cultura francesa, mas da cultura cinematográfica mundial, lembrando que o homenageado começou como crítico de cinema e prosseguiu com a criação da Mostra Internacional de Cinema.

A seguir, o discurso emocionado que o homenageado leu na cerimônia:

“Senhor Cônsul da França em São Paulo e Senhora  Jean-Marc Gravier, prezados amigos aqui presentes,
Gostaria de repartir com vocês a emoção muito especial que esta homenagem representa para mim. Não sou francês de nascimento, mas sim de coração, de resistência e de formação.

Por não ser francês de nascimento, sofri junto com a minha família as consequências por haver abraçado a cultura francesa num meio hostil, em Alepo, na Síria, onde meu pai era um membro do governo empenhado em fazer a cultura francesa semear as suas influências e espalhar os seus conhecimentos. Ele não conseguiu. Na segunda metade dos anos 50, com o advento do nasserismo e o surto nacionalista cujos reflexos até hoje observamos no Oriente Médio, meu pai foi perseguido e perdeu seu poder e a nossa família perdeu a sua paz. Como minoria armênia e influenciados pela cultura francesa, caímos todos em desgraça.

Graças a parentes armênios no Brasil, fomos salvos e tivemos a nossa viagem de fuga para São Paulo garantida. E esta foi a primeira lição aprendida de que a diversidade cultural é o melhor antídoto contra a intolerância. Certamente teria ido parar na França como grande parte da colônia armênia que sofreu o primeiro genocídio no começo do século 20, se não tivéssemos tido o patrocínio de nossos parentes ricos no Brasil.

Em 1915, no genocídio, meus pais somente foram poupados da morte por serem crianças com menos de seis anos de idade. Pouca coisa mais velho, eu sou a criança que veio parar em São Paulo no segundo exílio de meus pais, atônito com a descoberta de uma nova América, com a França como inspiração e para sempre no meu coração.

A França da resistência e da liberdade, descubro como todos os jovens de 68, nas barricadas de todo o mundo, lutando por mudanças e por vida inteligente. No Brasil tínhamos a ditadura militar tentando nos calar. Mas de novo a cultura francesa era uma referência fortificante. Como cinéfilo, a Nouvelle Vague dava-nos um norte e os impulsos da transgressão.

Devo em seguida mais uma vez aos franceses o melhor da minha formação e a coragem de sugerir o novo em meu próprio meio, ainda sob a mordaça da ditadura. Vou ao festival de Cannes pela primeira vez em 1971 e lá colho os primeiros frutos das rupturas e das ousadias ensaiadas em maio de 1968. Vejo filmes que me servem como lição de vida e grande aprendizado, de resistência e de mudança. Quero ser um agente para as suas promoções e circulação pelo Brasil, mesmo estando o Brasil sob forte censura e sem liberdade de expressão.

A França e o seu magnífico Festival de Cannes foram e ainda são como a minha segunda faculdade, a minha pós-graduação de humanismo, tolerância e diversidade que não pretendo concluir jamais. O cinema todo que vivi foi a minha inspiração para lançar-me no desafio de transpor as fronteiras do repórter para experimentar novas receitas de instigação. Juntei mais um pouco de coragem e fui programar cinema no MASP. Mais uma vez a França e sua política cultura estiveram do meu lado, agora como cúmplices. Jamais esquecerei que foi graças a uma ação clandestina e de solidariedade com o consulado da França em São Paulo que consegui montar os meus primeiros ciclos de filmes inéditos em São Paulo, furando o cerco da censura com o transporte dos filmes dentro das malas diplomáticas francesas.

Nos primeiros anos da Mostra Internacional de Cinema, as malas diplomáticas francesas continuaram contribuindo para minar a ditadura e espalhar idéias de resistência e criatividade. E a França, ao contrário da política cultural de muitos outros países, nunca abandonou esta sua vocação.

Acredito que certamente todos os amigos aqui presentes concordam com estas minhas observações e também eles tiveram e tem como eu a felicidade de descobrir, comungar e repartir a rica e generosa diversidade cultural francesa com os seus próprios anseios e projetos. Além de tudo, a França é o melhor exemplo de diversidade e tolerância cultural para o mundo. Ele é o país que mais investe pela aproximação dos povos; é o país que mais investe na co-produção de filmes com cineastas dos quatro cantos do mundo, inclusive com o Brasil.

Muito do que aprendemos a gostar e muito do que nos emociona no cinema é consequência desta admirável política cultural. E é esta paixão que segue me nutrindo e movendo. É como se nunca tivesse perdido o sabor infantil de quando lia meus primeiros gibis em francês, ouvia minha mãe no exílio cantarolando canções de Tino Rossi; de quando via meus primeiros filmes da Nouvelle Vague na adolescência, ou lia as críticas francesas com a curiosidade e a certeza de com elas iriam me decifrar os enigmas do mundo.

E é com sinceridade que digo: tudo que fiz ao longo da vida foi motivado pela necessidade de repartir os meus conhecimentos e lutar contra a intolerância. Guardo vivas as imagens absurdas de intolerância que registrei na minha memória, então um menino de seis anos, que viu do balcão da sua casa em Alepo a escola francesa de minhas irmãs sendo queimada pelos nacionalistas radicais. Tirei desse triste episódio a grande lição de minha vida: não é censurando que se combate um conceito ou uma idéia e sim promovendo a sua circulação e discussão democráticas.

Esta distinção que agora recebo do governo francês, sendo nomeado Chevalier de l´Ordre des Arts et des Lettres pela Madame Christine Albanel, Ministra da Cultura da França, reparto com todos os amigos e familiares aqui presentes. Foi com todos vocês que tive ao longo da vida o estímulo e a coragem de seguir adiante. Muito obrigado a todos.”

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
04/06/2009 - 13:51

Jornal da Mostra
CANNES 2009
ALMODÓVAR ATACA A CRÍTICA ESPANHOLA


Penélope Cruz e Pedro Almodóvar

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’
 

O 62o Festival de Cannes, de onde seu magnífico filme LOS ABRAZOS ROTOS saiu sem prêmios, foi o limite para Pedro Almodóvar declarar guerra ao tradicional e influente jornal madrilenho EL PAÍS. “Como leitor de EL PAÍS desde seus começos, lamento a deterioração progressiva de suas páginas de cultura”, ataca o cineasta. E segue em opinião publicada em seu blog, apontando “o êxito daquilo que justamente combatia EL PAÍS quando foi fundado, o direitismo, o sensacionalismo, os maus modos literários, o tom grosseiro, a banalidade etc.”

Segundo Almodóvar, “EL PAÍS original lutava contra tudo isso e me entristece comprovar que paulatinamente o estilo contra o qual lutava aparece em algumas páginas do periódico. Não afirmo que EL PAÍS tenha se convertido em seu contrário, não, mas que a presença de Carlos Boyero (crítico) e Borja Hermoso (editor) demonstram o oposto ao que o periódico original pretendia, e que estes acabaram contaminando a seção em que trabalham. E que esta situação é lamentável, triste e preocupante para o leitor. Quando digo leitor, refiro-me a mim mesmo, mas consta-me que não sou o único que pensa assim.”

Almodóvar se sente perseguido desde 2004 quando o mesmo crítico ironizou e desdenhou sobre o seu sucesso em Cannes onde toda a cidade e todo o festival se curvaram em sua homenagem. O consagrado cineasta reproduz as opiniões do crítico que de fato extrapola a sua função com comentários ofensivos do tipo “não serei masoquista a ponto de ver LOS ABRAZOS ROTOS pela segunda vez”, referindo-se à sessão de imprensa programada para o filme de Pedro Almodóvar em Cannes 2009, já que o teria assistido na pré-estreia em abril no seu lançamento na Espanha. De fato, Almodóvar é muito mais querido na França e em muitas outras partes do mundo do que na sua própria Espanha.

Com o seu blog Almodóvar acabou provocando a reação do ‘comitê de redação do EL PAÍS, em nota que qualifica o texto do cineasta como “campanha obsessiva contra nossos companheiros”. A nota diz que “o senhor Almodóvar deve saber que a crítica é livre. Que o mesmo direito que ele tem para filmar o que bem entende, a opinião que tenham os críticos e o público sobre ele é igualmente soberana. O diretor se dá ao luxo de perguntar se o nosso jornal não encontra nada melhor para enviar ao festival de Cannes. Este periódico apoiou historicamente ao senhor Almodóvar e sua magnífica trajetória. Rodou alguns dos seus filmes em nossa redação, pelo qual nos orgulhamos. Esta atitude não engrandece sua figura. Seu dever é seguir tentando oferecer não só bons filmes, senão obras primas como as que se contam em sua filmografia. O nosso é oferecer a nossos leitores a opinião que merecem, goste ou não o diretor.”

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
29/05/2009 - 19:35

Jornal da Mostra
CANNES 2009
UM FESTIVAL CADA VEZ MAIS DIGITAL E OUTRAS NOTAS

UM FESTIVAL CADA VEZ MAIS DIGITAL E OUTRAS NOTAS
SOCIALISMO, de Jean-Luc Godard

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

É uma realidade cada vez mais dominante. A revista ‘Le Film Français’ contou 50 filmes selecionados em digital sobre um total de 53 na seleção oficial. Quase a totalidade. No ano passado foram 37 filme em arquivo digital e em 2007, 20 filmes. Outras salas que programam a Quinzena dos Realizadores e a Semana da Crítica também já se renderam a esta novidade e não obrigam mais os selecionados a trazer seus filmes em película de 35 mm. O filme de abertura da ‘Quinzena’, TETRO, de Francis Ford Coppola, foi em projeção digital, assim como o da abertura do 62o Festival de Cannes, UP/ ALTAS AVENTURAS, em digital 3D.

É a fabricante californiana Christie, com capital controlado pela japonesa Ushia, quem está dominando o fornecimento de projetores digitais na França, a começar pelo festival de Cannes. A Christie já estaria com 75% do mercado mundial desses novos projetores. Até o final de março, 460 das 5.500 salas de cinema da França já estavam equipadas com projetores digitais. A tendência, segundo o jornal ‘Le Monde’, é que em mais cinco anos todos os cinemas da França já tenham passado para o digital, a uma base de 100 novas adaptações ao mês.

Fala-se em economia no transporte das cópias, segurança contra pirataria, proteção ao meio-ambiente, mas na França também se fala do desemprego que a mudança num setor da indústria do cinema há década estabelecido, o dos laboratórios de revelação, com seus banhos químicos, cópias em película, legendas etc.

CRISE

A amfAR, fundação americana contra a AIDS criada há 16 anos pela atriz Liz Taylor, organiza um jantar beneficente todo ano durante o festival de Cannes. No ano passado arrecadou 6,4 milhões de euros. Este ano ‘apenas’ 3,23 milhões com doações de 700 participantes. Na cabeça da organização, Bill Clinton e Sharon Stone.

‘ANTICRISTO’ CENSURADO

O filme dinamarquês ANTICHRIST será censurado pelos próprios produtores da Zentropa, com uma versão mais light para exportação a países com censura mais rígida. Haverá igualmente uma versão censurada para venda à TV. Pelo filme a francesa Charlotte Gainsbourg, nada pudica, levou o prêmio de melhor atriz. Uma remontagem certamente irá prejudicar a sua dramática e erótica entrega ao filme.

SOCIALISMO

Vai se chamar SOCIALISME o novo filme de Jean-Luc Godard, em fase de finalização. Uma ideia de trailer já está no You Tube. Veja emhttp://www.youtube.com/watch?v=aXzAQyt1qLE

ADVERTÊNCIAS

Propagandas de refrigerantes trazem agora na França advertências como nos maços de cigarros. No pé das páginas de publicidade da bebida Schweppes, pode se ler os seguintes conselhos: “Para a sua saúde, coma ao menos cinco frutas e legumes por dia”ou “Para a sua saúde, pratique uma atividade física regularmente”. E manda o leitor para www.mangerbouger.fr, o sítio da saúde na França.

CHLOE

CHLOE é o título do novo filme do canadense Atom Egoyan. Desconfiada que o marido (Liam Neeson) a trai, uma médica de sucesso (Julianne Moore) contrata uma jovem atraente (Amanda Seyfried) para testar a fidelidade do marido. Mas “ao se abrirem as portas da tentação”, segundo nota da produção, “ela coloca a família em grande perigo”.

KIAROSTAMI

O cineasta iraniano Abbas Kiarostami, Palma de Ouro em 1996 com GOSTO DE CEREJA/ A TASTE OF CHERRY, filma COPIE CONFORME na Itália (Toscana), pela primeira vez fora de seu país e com elenco profissional encabeçado por Juliette Binoche e o cantor de ópera britânico William Shimmel. A produção é da francesa MK2 ao custo previsto de 3,8 milhões de euros.
Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
25/05/2009 - 14:24

Jornal da Mostra
CANNES 2009
HANEKE FINALMENTE ENCONTRA O CONSENSO


Michael Haneke

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

 

Havia um nervoso no ar por toda a duração do festival. A pergunta era: como irá reagir Isabelle Huppert para julgar o filme do austríaco Michael Haneke? Afinal ela já atuou em dois filmes dele – CÓDIGO DESCONHECIDO/ CODE UNKNOWN e A PROFESSORA DE PIANO/ THE PIANO TEACHER, pelo qual recebeu o prêmio de melhor atriz no mesmo festival de Cannes, em 2001 e onde agora ela foi a presidente do júri. Pois Isabelle Huppert demonstrou que é realmente uma mulher corajosa e de forte personalidade, como as personagens nos filmes que escolheu fazer ao longo da sua brilhante carreira.

Fez justiça ao dar a Palma de Ouro ao novo filme de Haneke DAS WEISSE BAND/ A FITA BRANCA, um filme denso e vigoroso, distante e crítico sobre as raízes do mal. Ou mais abertamente, sobre o que vamos plantar com a educação que damos ou deixamos de dar à geração de nossos filhos.

O mestre Alain Resnais recebeu um prêmio especial “pelo conjunto da carreira e sua contribuição excepcional à história do cinema. Mas ao invés de um diploma faltou a ideia de lhe dar uma Palma de Ouro especial como se deu no ano passado a Manoel de Oliveira e a Clint Eastwood.

O francês Jacques Audiard, por UN PROPHETE/ A PROPHET, ótimo filme sobre máfias e escolas do crime dentro de uma grande prisão, ficou com o Grande Prêmio do Júri.

O filipino Brillante Mendoza foi escolhido Melhor Diretor pelo sórdido e cruel KINATAY. O anúncio foi vaiado na platéia da imprensa que assistia a premiação simultaneamente em projeção digital.
Outro prêmio do júri saiu dividido para FISH TANK, da inglesa Andrea Arnold, e BAK-JWI/ THIRST, do coreano Park Chan-Wook.

Muito bem aplicados os dois prêmio de atuação – a feminina, da francesa Charlotte Gainsbourg, muito atrevida em ANTICHRIST, que dedicou o prêmio à mãe Jane Birkin; e do austríaco Christoph Waltz, genial como oficial nazista em INGLOURIOUS BASTERD/ BASTARDOS INGLÓRIOS, de Quentin Tarantino.

Waltz é o grande achado do filme, “uma revelação”, embora atue há anos na televisão. “Este filme devolveu a minha vocação”, declarou no palco da premiação. E disse ter ouvido de Tarantino o seguinte elogio durante as filmagens: “Você é um dos que salvaram o filme. Esperava por isso há 13 anos.”

O prêmio de melhor roteiro foi dado para o chinês Mei Feng pelo filme SPRING FEVER/ FEBRE DE PRIMAVERA. Também recebido com vaias na sala da imprensa. A Camera d’Or de melhor estreante ficou com o australiano SAMSON AND DELILAH, de Warwick Thornton. Faltou um prêmio para o grande cineasta italiano Marco Bellocchio. Mas é sempre assim. Comédias e narrativas clássicas vão para o sacrifício. Os mais ousados aparecem e recebem prêmios que seguem com as polêmicas que seus filmes querem causar. A imprensa espanhola, por sua vez, reclama por não se ter premiado Amodóvar. Haverá outros nacionalismos descontentes. Huppert com a palavra final: “Não nos preocupamos em dar prêmios preocupados em abranger ao máximo esta seleção. Demos os prêmios que quisemos dar!”

 

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
24/05/2009 - 17:57

Jornal da Mostra
CANNES 2009
A CRISE DO QUARTO PODER E AS NOVAS MÍDIAS

A CRISE DO QUARTO PODER E AS NOVAS MÍDIAS

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

O jornal francês Libération de 19 de maio trouxe uma triste revelação – a entrevista do seu repórter com Penélope Cruz teria sido cancelada no último minuto sob o pretexto de que ela estaria com uma forte dor de cabeça. Em seguida a reportagem do jornal francês descobre a mentira. A assessoria de imprensa do filme de Pedro Almodóvar, no qual ela é endeusada como personagem e como atriz, teria preferida trocado o horário da entrevista para o jornal com outras para emissoras de televisão. A televisão, mais fugaz e menos reflexiva, necessita de menos tempo para os seus registros. A imprensa escrita precisa de mais tempo…

Libération , em outro artigo, de 14 de maio, reflete a crise pela qual passa a imprensa mundial. O “quarto poder”, como por muito tempo se define a imprensa e o jornalismo, justamente para vigiar e manifestar-se livremente num estado democrático sobre os outros três poderes – o legislativo, o executivo e o judiciário – , estaria vivendo uma crise de identidade, sem poder acompanhar a velocidade e as atrações dos infinitos sítios de notícias e pesquisa na internet. Desde 2000 a imprensa americana estaria perdendo entre 2 a 10% de leitores por ano, com 15 mil jornalistas americanos desempregados só em 2008.

Abalado pelo fechamento do Rocky Mountain News, de Denver; a situação falimentar do Chicago Tribune e do Los Angeles Times, as dificuldades financeiras conhecidas por seus dois maiores ícones The New York Times e o Washington Post, fez o senador democrata John Kerry prognosticar que “o jornalismo é uma espécie em via de extinção” ao abrir os trabalhos sobre “O Futuro do Jornalismo “ na subcomissão senatorial que preside, sobre comunicação.

Visto que está descartado o socorro aos jornais americanos como se socorreu bancos e montadoras, Benjamin Cardin, de Maryland, outro senador democrata, chegou a sugerir que os jornais se reorganizem como sociedades sem fins lucrativos, para não pagar impostos como igrejas, hospitais e escolas. Mas nem tudo está perdido de acordo com Le Journal du Dimanche de 24 de maio. “A imprensa escrita não está morta!”, começa dizendo o artigo de Pierre-Marie Cristin, referindo-se ao recente sucesso do diário The Daily Telegraph ao denunciar as despesas abusivas dos deputados britânicos. Em onze dias seguidos de matérias sobre este novo escândalo britânico, o Daily Telegraph teria ganhado 100 mil novos leitores. Na Alemanha, Die Zeit estaria escalando um progresso de 4% de novos assinantes graças à qualidade e à originalidade de seus artigos.

Segundo o Le Journal du Dimanche o sucesso do jornal britânico seria devido à integração da sua redação para artigos impressos e de internet. E o descrédito da americana ao fato de não ter duvidado ou afrontado a política belicista na administração Bush. O que está claro neste debate é também a credibilidade dos jornais impressos contra a leviandade de muitos textos distribuídos na internet, sem nenhuma responsabilidade com a verdade.

Seja como for, a lamúria do Libération por ser preterido na entrevista com Penélope Cruz, denuncia sobretudo o seu próprio papel durante o Festival de Cannes. Em 1981, quando o crítico Serge Daney largou a revista Cahiers du Cinéma para ser o editor de cinema do Libération, o jornal era como que leitura obrigatória no Festival de Cannes e um exemplo a seguir de jornalismo moderno e inventivo. Em 1987, uma manchete do jornal para falar de CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA/ CHRONICLE OF A DEATH FORETOLD, do italiano Francesco Rosi, teve o poder de destruiu a carreira do filme e espalhou mal estar entre todos os jornalistas que cobriam o festival. A manchete cruel da matéria do critico Gérard Lefort: “Crônica de uma merda anunciada”.

Como vemos, Libération não é mais assim indispensável. A sua própria redação sabe disso. No dia em que o jornal refletia sobre a crise mundial da imprensa, a sua edição de 40 páginas traria apenas duas páginas de anúncio. No dia 21 de maio, diante do meu espanto ao descobrir na banca que naquele dia o Libération não circulava por ser feriado nacional na França, a resposta da jornaleira foi lapidar: “C’est la France, monsieur!”. No mesmo dia sem o jornal impresso nas bancas da França, recebo por e-mail uma edição digital do mesmo Libération.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
24/05/2009 - 14:52

Jornal da Mostra
CANNES 2009
O ESPANTO DE SULEIMAN POR UMA PÁTRIA DESTRUÍDA

 

O ESPANTO DE SULEIMAN POR UMA PÁTRIA DESTRUÍDA
Elia Suleiman
 
Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’
 

 

Elia Suleiman é um palestino que faz cinema com memórias estilhaçadas. Por amor a uma pátria perdida, reúne os cacos em THE TIME THAT REMAINS, um filme dedicado aos seus pais e que começa em 1948, quando Nazaré, a cidade em que viviam, deve se render ao exército de Israel. O tempo que resta, segundo sugestão do título, parece estar parado. A câmera, com quadros fixos, aumenta esta sensação. E Suleiman recria o seu passado em duas idades, criança e adolescente. No presente, como adulto ele vive o seu próprio papel, num misto agridoce que lembra pelo menos dois ícones da comédia muda – Buster Keaton e Jacques Tati. 

Suleiman fala de perdas. Dos pais, familiares que partiram ao exílio, de uma nação que não existe mais e da sua própria identidade como cidadão judeu-palestino. O seu humor incomoda por todos os seus significados de resistência. O primeiro longa que fez – CRÔNICA DE UN DESAPARECIMENTO/ CHRONICLE OF A DISAPPEARANCE, foi premiado no Festival de Veneza de 1996 como melhor filme de diretor estreante.

Falava de um jovem palestino tentando se livrar da existência de gueto que sempre teve. O segundo, INTERVENÇÃO DIVINA/ DIVINE INTERVENTION, sobre um amor separado pela força de Israel, entre Nazaré, Jerusalem e Ramallah, venceu o Prêmio do Júri em Cannes 2002. Sete anos depois, esta espécie de trilogia sobre sentimentos frustrados e resistência parece se completar, sem que a catástrofe existencial dos palestinos aponte para uma saída digna e pacífica. 

O cinema faz de Elia Suleiman um herói nos países árabes. Mas é em Paris, junto à dinâmica produtora Wild Bunch que ele consegue encontrar recursos para seguir filmando. Wild Bunch, com tantos filmes de resistência, solidariedade e livre expressão que co-produz na China, no Irã, na Palestina e na própria França, vai contra toda a política de xenofobia de seu atual governo. Alias, não só dele. De toda a Europa unificada pelo golpe espetacular do euro.

 

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
22/05/2009 - 19:38

Jornal da Mostra
CANNES 2009
BELLOCCHIO, TARANTINO, RESNAIS, HANEKE…


DAS WEISSE BAND/ THE WHITE RIBBON/ A FITA BRANCA, de Michael Haneke

 

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

Marco Bellocchio, Quentin Tarantino, Alain Resnais, Michael Haneke e muito mais. A competição do 62o Festival de Cannes aturde com tanta coisa boa ao mesmo tempo. Falo deles sem poder deixar de registrar os novos filmes de Johnnie To, Ang Lee, Brillante Mendoza, Jacques Audiard e Park Chan-Wook.

Começo com THIRST/ BAK-JWI/ SEDE, do coreano Park Chan-Wook. De novo originalíssimo e surpreendente desde OLD BOY, de 2003. Esse e seu seguinte LADY VENGUEANCE estão tendo remakes nos EUA. SEDE faz vampiro chupar sangue, literalmente, de canudinho. Um padre aceita ser cobaia para uma vacina antiviral. Não dá certo. Seu corpo se cobre de pústulas que só cedem com sangue alheio. Como dá assistência e um hospital, nada mais fácil do que atacar pacientes inertes que têm as veias já abertas para receber soro. Tudo caminha tranquilo até que o vampiro se apaixona e come, outra vez literalmente, a sua nomorada e faz dela uma vampira ainda mais terrível. Park Chan-Wook não é só inventivo com as suas histórias. Ele domina como um mestre a arquitetura de seus cenários e faz parecer mais leve e divertido toda a sanguinolência espetacular. Já se especula em Cannes que algum estúdio americano vai comprar os seus direitos para… refilmar a mesma história. Mais espetacular (?) ou para atender aos mais ignorantes, à tal da América profunda que, segundo prognóstico da Variety, referindo-se hoje ao novo filme de Tarantino (leia abaixo), não gosta de ver filme com legendas?

Um dos preferidos em todas as listas de melhores filmes em Cannes é UN PROPHETE/ A PROPHET, de Jacques Audiard, um filme de prisão como nenhum outro. Tenso e conflituoso o tempo todo, o jovem sentenciado Malik deve servir de escravo à máfia da Córsega dentro da cadeia. Muito astuto ele aprende a ler, a escrever e até a falar na língua dos mafiosos. A grande escola do crime tem a ver com a crescente criminalidade dos imigrantes de origem árabe que começa a lotar outras alas da prisão. Malik, com interpretação cativante de Tahar Rahim, usa os seus seis anos de condenação em um promissor curso universitário de crime. Graduado, e já tratado com um profeta pela cúpula da máfia árabe de Marselha, ele será o líder capaz de pacificar as duas organizações e racionalizar com inteligência seus negócios.

Já o mestre Alain Resnais, aos seus 87 anos, faz de um pequeno crime, o roubo da bolsa de uma dentista da província, um explosivo caso de amor em LES HERBES FOLLES/ WILD GRASS/ ERVAS DANINHAS. Direção leve, divertida, de bem com a vida, encanta os espectadores com a sua narrativa multifacetada, movida por caprichos e acasos, e cheia de mistérios, como se estivesse comemorando os 50 anos de seu HIROSHIMA, MON AMOUR. Manoel de Oliveira faz um cinema de paixões próximo ao de Resnais, mas com muito menos recursos de produção. Agora mesmo, aos 101 anos de idade, Oliveira luta para juntar recursos para rodar um novo longa-metragem que, pelos seus planos no último Festival de Berlim, deveria estar pronto para apresentar nesta edição de Cannes. Mas não está.

Ang Lee fez com TAKING WOODSTOCK uma comédia, 40 anos depois dos “três dias de paz e amor” que mobilizou meio milhão de jovens americanos para um pacato meio rural ao norte do estado de Nova York. O concerto segue Elliot Tiber (Demetri Martin), que prova ser a pessoa certa no lugar certo quando os empresários já tinham vendido 100 ingressos antecipados e o local das apresentações tinha sido vetado pela autoridades. Elliot, como representante dos modestos interesses de turismo dos hoteleiros conservadores da área, e para salvar o hotelzinho da sua caricatural mãe judia, atrai os empresários e tudo dá certo. Exceto a imprevista mobilização de toda a nação norte-americana. Não espere um musical do filme de Ang Lee. Ficamos nos bastidores do evento com toda a sua rica fauna de inimagináveis personagens. E descobrimos como eles realmente um novo mundo.

KINATAY, do filipino Brillante Mendoza, será lembrado com um dos filmes mais incômodos do festival, junto com ANTICHRIST, de Lars Von Trier. Ele se passa em angustiante tempo real no sórdido mundo do crime e da prostituição. Uma dela será sequestrada, torturada, morta e esquartejada com requintes de isuportáveis momentos de crueldade. SERBIS, o filme anterior de Mendoza, na competição de Cannes 2008, já tratava de marcar terreno com sordidez e absoluta falta de compaixão. Cinema de extremos e estômagos fortes.

VENGEANCE/ VINGANÇA, do chinês Johnnie To faz homenagem a outro Johnnie, o francês Hallyday, veterano roqueiro e ator. Muito venerado pela crítica francesa, To nada mais faz do que repetir o gênero de filmes de gangster de Hong Kong, com muita coreografia e tiroteio em que só o mocinho escapa vivo. Baleado, mas vivo. Johnny Hallyday faz um francês que troca seu restaurante em Paris pelo desejo de vingar a morte de sua filha, os dois netos e o genro, mortos por uma gangue dos cassinos de Macau.

VINCERE, do mestre Marco Bellocchio, consegue inovar na sua investida contra as históricas hipocrisias dos fascistas na escalada social e política. Mais direto impossível. Invadimos com ele a intimidade do próprio Benito Mussolini (Filippo Timi) e sua aventura extra-conjugal com uma rica estilista de Milão, Ida Daiser (Giovanna Mezzogiorno), com quem tem um filho. Ambos se apaixonam quando se conhecem em 1907 na militância do partido socialista. O mundo ainda vive as convulsões que irão culminar na 1a Guerra Mundial. O que veremos ao longo do filme é a metamorfose do jovem e ambicioso sindicalista em um líder medonho. E a escalada nos graus da loucura de mãe e filho que Mussolini ordena trancafiar em dois manicômios separados. Eles não voltarão a se ver nos anos seguintes de tortura mental e chacota por insistirem em repetir que são mulher e filho do ditador italiano.

INGLOURIOUS BASTERS, de Quentin Tarantino, coloca toda a sua explosiva carga de inventividade e paixão de cinéfilo na recriação de filmes B sobre a Segunda Guerra Mundial, o horror nazista, a espionagem, o seu conhecido fetiche por pés femininos (Diane Kruger), a resistência e, porque não, muita fantasia para até mudar o rumo da história e dar um fim a Hitler e Goebbels num atentado em um cinema de Paris em plena ocupação. Tarantino trabalha com perfeição ao esticar ao máximo os momentos de tensão de cada sequência. Usa a sua bagagem de conhecedor sempre atualizado sobre o cinema de todo o mundo, raro para um cineasta, para encher o seu novo filme de citações e referências cinematográficas e até uma homenagem aos franceses que reconhecem os diretores de filmes como artistas e autores. Foi e seguirá sendo um dos momentos altos da temporada cinematográfica de 2009.

DAS WEISSE BAND/ THE WHITE RIBBON/ A FITA BRANCA, é o melhor filme do diretor austríaco Michael Haneke. Todo em brilhante preto e branco, com fotografia do grande Christian Berger, Haneke faz um filme sobre as origens latentes do terror, vasculhando a rígida ordem moral em uma aldeia no norte da Alemanha em 1913, véspera da 1a Guerra Mundial. A severidade na educação das crianças volta-se contra a aldeia com atentados cruéis. A narrativa segue o ponto de vista de um professor que especula os estranhos acontecimentos onde ninguém testemunha nada ou se arrisca a reagir. Haneke, sempre explorando a violência latente, remexe aqui diretamente no ninho e nos ovos da serpente do totalitarismo. As crianças que ele mostra educadas com crueldade serão os adultos que irão engrossar as fileiras do nazismo. O filme deveria ser obrigatório para todos os educadores. Na verdade, o cinema sem exceções.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com 

GALERIA DE FOTOS



Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
20/05/2009 - 13:03

Jornal da Mostra
CANNES 2009
ALMODÓVAR ENCANTA DE NOVO COM PENÉLOPE CRUZ

LOS ABRAZOS ROTOS/ BROKEN EMBRACES, de Pedro Almodóvar

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

 LOS ABRAZOS ROTOS/ BROKEN EMBRACES é o 16o filme de Pedro Almodóvar, o cineasta que ama as mulheres como nos velhos tempos em que elas eram tratadas como divas e a alma dos filmes. E do tempo em que um filme era alçado ao posto mais alto no altar das artes e do entretenimento. Foi-se esse tempo, mas temos cineastas virtuosos com Almodóvar para que não esqueçamos da idade de ouro do cinema.

A diva de Almodóvar é Penélope Cruz, não há dúvida. ABRAÇOS PARTIDOS é todo concebido para que nos encantemos com as imagens da atriz. O filme é cheio de caprichos e luxos, todos para dar brilho máximo a Penélope Cruz. O único senão em todo este conceito de glamour é a exposição da droga, da cocaína, como ato corriqueiro e natural. Deve ser mesmo na Espanha onde uma pesquisa com cédulas de euro surpreendeu com a seguinte revelação: 94% das notas que circulam na Espanha têm traços de cocaína. Isto é, quase a totalidade do dinheiro que os espanhóis manuseia já serviu como canudinho para se cheirar cocaína. É alarmante. E esta notícia pode ser conferida no sítio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas http://www.obid.senad.gov.br/portais/internacional/conteudo/web/noticia/ler_noticia.php?id_noticia=9127

ABRAÇOS PARTIDOS é também uma homenagem aos filmes B de Hollywood, os filmes noir, aqueles filmes baratos dos anos 40 e 50 feitos em estúdios de Hollywood sem recursos, principalmente de iluminação, e que fizeram da própria falta de meios a sua maior virtude. Se na época eram considerados mal iluminados hoje são considerados obras-primas no jogo de sombras, recortes e penumbras e cultuados como um gênero. Há um filme dentro de outro filme. Uma metalinguagem que funciona e se quer seguir como um verdadeiro thriller cheio de mistérios e revelações. Pode não ser este o melhor filme de Almodóvar, mas ainda o um trabalho de mestre virtuoso, cheio de caprichos e requintes, capaz de narrar e conduzir uma história à antiga. Uma história do tempo em que o cinema mobilizava multidões para os seus templos divinos. Alias, é bem ele que ainda consegue isso a cada ano, a cada esperado novo filme.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com
Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
20/05/2009 - 12:57

Jornal da Mostra
CANNES 2009
O DESPOTISMO NO CINEMA DE PAVEL LOUNGUINE


CZAR/TZAR, de Pavel Lounguine

Edição: Renata de Almeida e Leon Cakoff
Redação: Leon Cakoff, para o ‘Jornal da Mostra’

 

Os mistérios da Rússia com suas histórias de tirania perturbam a mente do grande cineasta Pavel Lounguine. É o que ele tenta mostrar em O CZAR/TZAR, selecionado no 62o Festival de Cannes na paralela Un Certain Regard. Um filme sobre as heranças de um povo infelizmente refém do despotismo. Este sim é um filme de terror. Lounguine está falando de Ivan, o Terrível, um personagem do século 16 resgatado e mitificado pelo regime soviético, quando Stalin exigiu pessoalmente que o controverso cineasta Sergei Eisenstein lhe dedicasse um filme em 1944. Segundo Lounguine, para Stalin justificar os seus próprios crimes.

O que Lounguine explora bem é o delírio do tirano que pensava ter uma linha direta de comunicação com Deus, sendo o seu representante na madre terra russa. Tal delírio, como sabemos, segue atravessando os séculos em várias partes do mundo. Não bastava achar que era o representante divino na terra, preparava o seu povo para o dia do juízo final. Foi esta personalidade perturbada que impôs uma nova forma de poder em nosso país, observa o cineasta.

Ivan inovou em seu tempo o conceito de tirano. Auto proclamou-se o primeiro Czar, unificou a Rússia, criou uma polícia secreta chamada Oprichniks, um bando que extorquia, torturava e matava impunemente, vestia-se de negro, montava cavalos negros decorados com carcaças de cães bravos, construiu e destruiu catedrais, condenou as mais altas autoridades da igreja ortodoxa por não aceitar críticas e desafios.

Sente-se o desespero na metáfora do cineasta. A tirania de Ivan, o terrível instaura o caos. O delírio e o misticismo estão impregnados na extraordinária interpretação do ator Piotr Mamonov, que Lounguine adora com razão. E parece ser bem o caos que ele dissimula para tratar da realidade do seu pais pós-comunista. Comentando o filme com uma amiga francesa aqui em Cannes e o tratamento indigno dispensado na imigração aos turistas brasileiros, com casos seguidos e absurdos de deportação, ela disse que com os russos tem sido pior. Antes mesmo dos passageiros dos aviões procedentes da Rússia chegarem à alfândega, uma tropa os isola a procura de traços de plutônio contrabandeado. Cada tempo com a sua visão de juízo final.

Mais infos. sobre o Festival de Cannes em :

www.festival-cannes.com

Enviado por: admin - Categoria(s): Uncategorized Tags relacionadas:
Topo