Petrobras apresenta

32ª Mostra Internacional de Cinema

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Apresentação Especial Pablo Trapero

Jornal da mostra

Edição:
Renata de Almeida e Leon Cakoff
Leonera, de Pablo Trapero

Apresentação Especial Pablo Trapero

A Argentina é hoje, ao lado da China e da Romênia, o país onde se faz o melhor e mais instigante cinema jovem no mundo. Desde Mundo Grua, Pablo Trapero está à frente desse processo de renovação que entende o cinema como uma forma de expressão essencial. A projeção de uma identidade nacional na tela.

Em apenas cinco filmes (Mundo Grua, Do Outro Lado da Lei, Família Rodante, Nascido e Criado, e Leonera), Trapero desenvolveu uma escrita única e pessoal. Seu olhar não julga. Mostra e revela. Não há um plano a mais, uma posição de câmera que não seja necessária em seus filmes. Atores e não-atores, dirigidos com precisão e delicadeza, estão a serviço de um todo. Para Trapero como para Bresson ou Rosselini, fazer cinema é ao mesmo tempo uma questão ética e estética.

Tudo parte de um modelo de produção familiar - o cinema como prolongamento da vida. Pablo escreve (ou co-escreve) os roteiros de seus filmes. Martina Guzmán, sua mulher e atriz de seus últimos dois filmes, é quem os produz no quadro da Matanzas Cine, onde jovens diretores como Albertina Carri também desenvolvem seus projetos.

É ao mesmo tempo um cinema próximo da realidade e um cinema de invenção constante. Leonera, seu filme mais recente, é um exemplo vivo disso. Um filme de uma extraordinária pertinência, ao mesmo tempo duro e pleno de afeto, que mostra um cineasta no topo de sua forma. No papel principal, Martina Guzmán oferece uma das interpretações mais luminosas dos últimos anos.

A retrospectiva que a Mostra Internacional de Cinema propõe da obra de Pablo Trapero chega em boa hora. Ela nos convida a conhecer melhor um dos maiores talentos do cinema de autor contemporâneo.

Walter Salles