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32ª Mostra Internacional de Cinema

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Victor Sjöström

Filmes em outras edições:
Pai e Filho, 1931
Vento e Areia, 1928
A Carta Escarlate, 1927
Aponte o Homem, 1924
Fogo a Bordo, 1923
Ritual do Amor, 1922
A Carruagem Fantasma, 1921
O Monastério de Sendomir, 1920
Karin, Filha de Ingmar, 1920
Garantia Perigosa, 1920
Os Filhos de Ingmar, 1919
O Testamento do Conde, 1919
O Fora-da-lei e sua Mulher, 1918
Terje Vigen, 1917
The Girl from the Marsh Croft, 1917
Predadores do Mar, 1916
O Beijo da Morte, 1916
Ingeborg Holm, 1913
O Jardineiro Cruel, 1912

Nasceu em Silbodal, Suécia, em 1879. Filho de um lenhador, emigrou com os pais para os EUA quando tinha apenas um ano de idade. A família Sjöström prosperou no bairro do Brooklyn, onde Victor morou até os 7 anos. Na entrada da adolescência, crescem seus problemas com o pai, que se tornara um fanático religioso. Com a morte da mãe, em 1887, o menino decide voltar para a Suécia. Entra para o teatro, que se tornará a profissão que nunca abandonará por toda a vida, mesmo quando assume também a função de diretor de cinema.É como ator, aliás, sua única participação nas telas a chegar ao Brasil, como o professor Isak Borg, protagonista do filme Morangos Silvestres (1957), de Ingmar Bergman, que seria sua última atuação no cinema. Sob a batuta de Bergman, Sjöström atuou também em Till Glädje/The Joy (1950), onde fazia o papel de um maestro. Sjöström dirigiu 53 filmes, todos eles no período mudo, exceto os dois últimos (Pai e Filho, 1931, e Under the Red Robe, 1937). Mas boa parte se perdeu devido a um incêndio ocorrido no arquivo dos estúdios Svenska, onde ele começou a carreira cinematográfica, em 1912. Sua entrada no cinema, na verdade, aconteceu por acaso. Ator de teatro, Sjöström dirigia a companhia de repertório Einar Fröberg quando um antigo colega de escola lhe telefonou, perguntando se gostaria de tornar-se cineasta. Naquela altura, o estúdio Svenska ampliava-se e o jovem ator caiu nas graças do diretor-geral, Charles Magnusson. Em 1912, Sjöström atuou em The Black Masks e Vampyren, dois filmes do grande amigo Mauritz Stiller (cineasta que foi homenageado com uma retrospectiva na 27ª Mostra). No mesmo ano, estreou como diretor no drama O Jardineiro Cruel, um roteiro original do mesmo Stiller. Logo neste primeiro filme, o novo diretor causou polêmica. A cena final, em que o protagonista (o próprio Sjöström) praticamente estupra uma jovem numa estufa cheia de flores, foi considerada muito forte e o filme acabou censurado. Os censores alegaram que constituía “uma ameaça à ordem pública”. Não parecia um início muito promissor. Mas no segundo filme, Ingeborg Holm (1913), o diretor atingiu o sucesso. Fora pressionado pelo chefe, Magnusson, a encontrar um papel para a estrela Hilda Borgström, cujo contrato com o estúdio estava para terminar. Sjöström adaptou, então, uma peça do autor Nils Krok, iniciando uma tendência que seguiu em toda a carreira, das adaptações literárias. O filme foi um grande sucesso e também levantou uma polêmica na imprensa da época, em torno de seu tema, a assistência aos pobres. Os críticos elogiaram o realismo da narrativa e o trabalho de câmera de Henrik Jaenzon, juntamente com seu irmão, Julius Jaenzon, um dos parceiros mais constantes da primeira fase do diretor. Em 1916, ele realiza Predadores do Mar, drama com cena de tribunal que se tornou antológica, e Kiss of Death, uma história policial. Mas é com Terje Vigen (1917), uma adaptação do célebre poema de Henrik Ibsen, que o cineasta é definitivamente consagrado. Mais do que isso, ao lado de Mauritz Stiller, é alçado à condição de um dos expoentes da chamada Era de Ouro do cinema sueco. Uma das características básicas de seu estilo é a fidelidade às obras literárias que adapta. Seguindo essa linha, filma quatro livros de Selma Lagerlöf (1858-1940), vencedora do Prêmio Nobel de Literatura em 1909. O primeiro deles, The Girl from Marsh Croft (1917), o último, o celebrado A Carruagem Fantasma (The Phantom Chariot, 1920), que Ingmar Bergman, até hoje, confessa assistir pelo menos uma vez ao ano. Considerado o auge da Era de Ouro sueca, A Carruagem Fantasma teve uma produção demoradíssima, o que provocou sua estréia apenas no Ano Novo de 1921. As externas foram filmadas à noite, criando o clima sombrio e mágico que narra a história de David Holm (o próprio Sjöström), homem forçado a voltar do mundo dos mortos para salvar a vida de sua família. A natureza no centro da narrativa, quase tornando-se um personagem, é uma das características distintivas de O Fora-da-Lei e sua Mulher (1918). Com seus belos cenários de neve e a fuga dos protagonistas ao longo de despenhadeiros, o filme foi considerado pelo cineasta francês Louis Delluc como “o mais belo do mundo”. O protagonista, aliás, era o próprio Sjöström, ao lado da atriz Edith Erastoff, que acabou tornando-se sua segunda esposa. A partir de apenas três capítulos do romance Jerusalém, de Selma Lagerlöf, o diretor desenvolveu um épico com duas partes, Os Filhos de Ingmar (1919) – sucesso visto por 196.000 pessoas, quase a metade da população de Estocolmo na época – e Karin, Filha de Ingmar (1920). Outro parceiro constante de Sjöström foi o escritor e roteirista Hjalmar Bergman. Juntos, realizaram cinco filmes, entre eles, Garantia Perigosa (1920), Ritual do Amor (1922) e Fire Onboard (1923), este o último realizado na Suécia antes que partisse para Hollywood. Sjöström mudou-se para os EUA a convite do chefe do estúdio da MGM, Louis B. Mayer, em 1923. Lá tornou-se conhecido como Victor Seamstrom e realizou nove filmes, entre eles He Who Gets Slapped, com Lon Chaney, A Carta Escarlate (1927) e Vento e Areia (1928) – ambos com a estrela Lillian Gish, que o escolheu como diretor, bem como o ator que contracenaria com ela, o também sueco Lars Hanson. As filmagens de Vento e Areia exigiram alto sacrifício do elenco e da equipe, já que o diretor exigiu que as externas fossem realizadas no deserto do Mojave, com temperaturas altíssimas, além do uso constante de ventiladores para produzir o efeito de tempestades de areia. Em suas memórias, Lillian Gish se recordaria desta como “uma de minhas piores experiências em filmagens”. Mesmo ofuscado na época de seu lançamento pela recente introdução do cinema falado (com O Cantor de Jazz, de 1927), Vento e Areia acabou sendo considerado posteriormente como uma das obras-primas da carreira do diretor. Seu último filme em Hollywood foi The Divine Woman (1928), uma cinebiografia da atriz Sarah Bernardt estrelada pela estrela sueca Greta Garbo. Infelizmente, este filme se perdeu, dele só restando um fragmento. De volta à Europa, Sjöström dirigiu apenas mais dois filmes. O primeiro, na Suécia, mais uma vez uma história de Hjalmar Bergman, Pai e Filho (1931), lançado pouco depois da morte do roteirista. Seu último trabalho como diretor foi filmado na Inglaterra, Under the Red Robe (1937), uma adaptação do romance de aventuras de Stanley Weyman. Apesar de vários convites para voltar a dirigir, Sjöström recusou sempre, permanecendo unicamente ator. Atuou em outros 18 filmes, trabalhando com diretores como Gustaf Molander (que havia sido seu roteirista em Terje Vigen), Tancred Ibsen, Arne Mattsson e Ingmar Bergman. Morreu em 1960. Filmografia como diretor 1912 O Jardineiro Cruel (Trädgardsmästaren /The Gardener/ The Cruelty of the World/The Broken Spring Rose) 1913 Ingeborg Holm (Margaret Day) 1916 Predadores do Mar (Havsgamar/Sea Vultures) 1916 O Beijo da Morte (Dödskyssen /The Kiss of Death) 1917 Terje Vigen (A Man There Was) 1917 The Girl from Marsh Croft (Tösen fran Stormyrtorpet/The Girl from Marsh Croft) 1918 O Fora-daLei e sua Mulher (Berg-Ejvind och hans hustru/The Outlaw and his wife/You and I) 1919 Os Filhos de Ingmar (Ingmarssönerna/The Sons of Ingmar) 1919 O Testamento do Conde (Hans nads testamente/His Lord’s Will) 1920 O Monastério de Sendomir (Klostret I Sendomir/The Monastery of Sendomir) 1920 Karin, Filha de Ingmar (Karin Ingmarsdotter/Karin Daughter of Ingmar) 1920 Garantia Perigosa (Mästerman/A Dangerous Pledge) 1921 A Carruagem Fantasma (Körkarlen/Thy Soul Shall Bear Witness/ The Phantom Chariot) 1922 Ritual do Amor (Vem Dömer/Love’s Crucible) 1923 Fogo a Bordo (Eld Ombord/Fire Onboard) 1924 Aponte o Homem (Name the Man) 1924 He Who Gets Slapped 1925 Confessions of a Queen 1927 A Carta Escarlate (The Scarlett Letter) 1928 Vento e Areia (The Wind) 1928 The Divine Woman 1931 Pai e Filho (Markurells I Wadköping/The Markurells of Wadköping) 1937 Under the Red Robe