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Hugh Hudson

Filmes em outras edições:
REVOLUÇÃO REVISITADA, 2008
GREYSTOKE, A LENDA DE TARZAN, O REI DAS SELVAS, 1983
CARRUAGENS DE FOGO, 1981
FANGIO – UMA VIDA A 300 KM POR HORA, 1977

Hudson nasceu em Londres, filho único de Michael Donaldson-Hudson e sua segunda esposa Jacynth Ellerton, de uma família de latifundários de Shropshire, com ligações na costa Oeste da Escócia. Foi enviado para um internato com aproximadamente sete anos de idade e, posteriormente, foi educado em Eton.
Nos anos 1960, depois de três anos editando documentários em Paris, Hudson comandou uma companhia cinematográfica de documentários, com os parceiros Robert Brownjohn e David Camell, produzindo, entre outros, A for Apple e The Tortoise and the Hare. Então, embarcou em uma carreira promissora na publicidade, produzindo e dirigindo muitos comerciais premiados, ao lado do colega britânico o diretor Ridley Scott. Essa foi a porta de entrada para o mundo do cinema. O primeiro trabalho foi com o diretor de O Expresso da
Meia-Noite Alan Parker.
Entre 1973 e 1975, escreveu e dirigiu Fangio, Uma Vida a 300 km por hora. Um filme inspirador sobre corridas através dos olhos de Juan Manuel Fangio - cinco vezes campeão mundial de Fórmula 1 e considerado, pelo meio automobilístico, o maior piloto de todos os tempos.
Em 1979/1980 Hudson direcionou seu trabalho no que é considerado o mais bem realizado e conhecido filme, Carruagens de Fogo (1981), a história de dois corredores britânicos, um cristão e o outro um ambicioso judeu, que participaram dos Jogos Olímpicos de 1924. O filme revitalizou a combalida indústria cinematográfica britânica e ganhou quatro Oscar, incluindo melhor filme e Hudson foi indicado a melhor diretor. O velho amigo Vangelis contribuiu para aumentar a premiação do filme com uma marcante trilha sonora.
Após esses sucessos, as produções seguintes de Hudson foram Greystoke -
A Lenda de Tarzan, o Rei das Selvas (1984) e Revolução (1985), que retratava a Guerra da Independência americana e que poderia pôr em perigo a carreira de Hudson em Hollywood.
Em 2008 Hudson reeditou Revolução, dando ao filme uma narrativa feita por
Al Pacino e, finalmente, criando o filme vislumbrado por Hudson e Pacino 20 anos antes. A distribuição havia sido forçada antes que o filme estivesse concluído - muito contra a vontade do ator principal e do diretor.
Philip French escrevendo sobre a nova versão diz... Revolução foi mal interpretado e injustamente tratado em sua primeira exibição 20 anos atrás. Vendo-o novamente na versão do diretor, parece-me ser uma obra-prima - profundo, poético e original. O filme de Hudson deverá ter a sua posição entre os grandes filmes sobre História e sobre cidadãos que vivem tempos de profundas e dramáticas mudanças sociais. Uma esperança que, finalmente, o público assista ao que realmente merece.
Em 1988 dirigiu o anúncio 2 ½ minutos para a British Rail, uma paródia do documentário de 25 minutos sobre os correios chamada Night Mail, realizada em 1936. O amado poeta W.H. Auden escreveu o famoso verso especialmente para encaixar na filmagem, sabiamente mostrando a enorme dimensão das operações diárias e da estrutura do “setorizado” negócio. A seqüência de abertura mostra o posto do correio no limite com o Norte tendo o verso original de Auden narrado por Sir Tom Courtenay. Música de Vangelis.
Em 2006 revelou que trabalharia com o produtor John Heyman, num épico histórico baseado na vida do faraó egípcio Akhenaten e a esposa Nefertiti. O filme centra-se no tempestuoso relacionamento.
Havia um plano de dirigir a adaptação do livro do norueguês Haruki Murakami Wood num futuro próximo. Entretanto, em julho de 2008, foi anunciado que o cineasta franco-vietnamita Tran Anh Hung dirigiria uma adaptação da novela.
Empenhou-se no desenvolvimento da adaptação de Homenagem à Catalunha, de George Orwell, no qual estão os atores Colin Firth, Geoffrey Rush e Gerard Depardieu.
Desenvolve ainda A Bend in the River, adaptação cinematográfica do livro homônimo do vencedor do Prêmio Nobel V.S. Naipul.
Casou-se, a primeira vez, com a pintora Susan Michie, em 25 de agosto de 1977. Em novembro de 2003, casou-se com a atriz Maryam d’Abo.
Agosto de 2007: em Nimes, França, Un Realisateur dans la Ville, festival criado por Gérard Depardieu e Jean Claude Carriere exibiu o trabalho de um diretor, caracterizado como o trabalho de Hugh Hudson, apresentando oito filmes em cinco dias e a estréia de Al Pacino como narrador na versão de Revolução chamada Revolução Revisitada.
Em outubro de 2008 no Dinard British Film o trabalho do diretor foi honrado. Como tributo foram exibidos cinco filmes, com Tempo da Inocência abrindo o festival.

HUGH HUDSON
REVOLUTION

A história da indústria cinematográfica britânica tem bem menos seqüências de novos ciclos do que sucessivas e breves explosões individuais em resposta a circunstâncias históricas. Um dos casos mais significativos iniciou-se no final dos anos 1970 por David Puttnam, importante figura do mundo publicitário. Havia uma calmaria no cinema britânico depois do “boom” do financiamento norte-americano na década dos anos 1960 e Puttnam decidiu que era hora de lançar alguns ambiciosos diretores de comerciais de televisão na grande tela como desafio à geração dos chamados “movie brats”, que faziam remakes e dominavam Hollywood.
Os principais cineastas que Puttnam tinha em mente eram Hugh Hudson, Ridley Scott, Adrian Lyne e Alan Parker. Todos tinham dirigido grandes sucessos e a maior surpresa das estréias produzidas por Puttnam, sucesso de crítica e de público, foi o filme de Hudson Carruagens de Fogo (1981). Foram quatro dos sete Oscar para os quais havia sido indicado: melhor filme, roteiro original, música e figurino. Agarrando seu Oscar no palco em Los Angeles, o roteirista Colin Wellan proferiu o célebre e arrogante desafio: “os britânicos estão chegando”.
Nascido em 1936, Hudson foi o mais velho dos protegidos de Puttnam e, por qualquer avaliação que se faça, o mais complexo. Nasceu em uma família abastada, estabelecida no condado de Shropshire, e educou-se em Eton. Depois de dois anos no regimento de cavalaria na Alemanha, rejeitou os privilégios, recusou-se a entrar nos negócios da família ou freqüentar a Oxbridge. Apaixonou-se por cinema, estudou Edição em Paris antes de começar a trabalhar com publicidade, dirigindo premiados comerciais de televisão e fazendo documentários geralmente para empresas as quais ajudou a criar. O mais célebre documentário (embora raramente visto) é o deslumbrante Fangio: Uma Vida a 300 km por hora (1975), elegante retrato do piloto argentino de Fórmula 1 Juan Fangio. Um de seus fotógrafos era Kubrick, que foi colaborador pontual de John Alcott, que mais tarde faria o filme de Hudson Greystoke: A Lenda de Tarzan. Outro foi o francês Bernard Lutic que foi diretor de fotografia nos filmes Revolução, Tempo da Inocência, África dos Meus Sonhos, bem como trabalhou com Hudson no filme de Alan Parker O Expresso da Meia-Noite.
Hudson rejeitou inúmeras ofertas antes de descobrir em Carruagens de Fogo os temas certos nos quais se engajou. Incluem-se questões de discriminação de classes, preconceito racial, nacionalismo, rebelião contra as instituições e contra a autoridade moral. Essas preocupações existiram em três filmes que, em retrospectiva, constituem uma trilogia informal, tratando-as com mais profundidade e sutileza como as definições ampliadas e levadas de volta ao passado, a partir dos anos 1920 do século XVIII.
Desdobrando-se em flashback a partir de 1960, o lírico e ricamente realizado Carruagens de Fogo cobre os cinco anos que antecedem os Jogos Olímpicos de 1924 e os efeitos sobre os três outsiders. O primeiro, o escocês pregador e filho de missionários Eric Liddell (Ian Charleson), um grande atleta cujos princípios religiosos o proíbem de correr aos domingos. O segundo, o grande corredor Harold Abrahams (Ben Cross), tratado com condescendência pelos professores anti-semitas da Universidade de Cambridge por sua descendência de imigrantes judeus e por sua A história da indústria cinematográfica britânica tem bem menos seqüências de novos ciclos do que sucessivas e breves explosões individuais em resposta a circunstâncias históricas. Um dos casos mais significativos iniciou-se no final dos anos 1970 por David Puttnam, importante figura do mundo publicitário. Havia uma calmaria no cinema britânico depois do “boom” do financiamento norte-americano na década dos anos 1960 e Puttnam decidiu que era hora de lançar alguns ambiciosos diretores de comerciais de televisão na grande tela como desafio à geração dos chamados “movie brats”, que faziam remakes e dominavam Hollywood.
Os principais cineastas que Puttnam tinha em mente eram Hugh Hudson, Ridley Scott, Adrian Lyne e Alan Parker. Todos tinham dirigido grandes sucessos e a maior surpresa das estréias produzidas por Puttnam, sucesso de crítica e de público, foi o filme de Hudson Carruagens de Fogo (1981). Foram quatro dos sete Oscar para os quais havia sido indicado: melhor filme, roteiro original, música e figurino. Agarrando seu Oscar no palco em Los Angeles, o roteirista Colin Wellan proferiu o célebre e arrogante desafio: “os britânicos estão chegando”.
Nascido em 1936, Hudson foi o mais velho dos protegidos de Puttnam e, por qualquer avaliação que se faça, o mais complexo. Nasceu em uma família abastada, estabelecida no condado de Shropshire, e educou-se em Eton. Depois de dois anos no regimento de cavalaria na Alemanha, rejeitou os privilégios, recusou-se a entrar nos negócios da família ou freqüentar a Oxbridge. Apaixonou-se por cinema, estudou Edição em Paris antes de começar a trabalhar com publicidade, dirigindo premiados comerciais de televisão e fazendo documentários geralmente para empresas as quais ajudou a criar. O mais célebre documentário (embora raramente visto) é o deslumbrante Fangio: Uma Vida a 300 km por hora (1975), elegante retrato do piloto argentino de Fórmula 1 Juan Fangio. Um de seus fotógrafos era Kubrick, que foi colaborador pontual de John Alcott, que mais tarde faria o filme de Hudson Greystoke: A Lenda de Tarzan. Outro foi o francês Bernard Lutic que foi diretor de fotografia nos filmes Revolução, Tempo da Inocência, África dos Meus Sonhos, bem como trabalhou com Hudson no filme de Alan Parker O Expresso da Meia-Noite.
Hudson rejeitou inúmeras ofertas antes de descobrir em Carruagens de Fogo os temas certos nos quais se engajou. Incluem-se questões de discriminação de classes, preconceito racial, nacionalismo, rebelião contra as instituições e contra a autoridade moral. Essas preocupações existiram em três filmes que, em retrospectiva, constituem uma trilogia informal, tratando-as com mais profundidade e sutileza como as definições ampliadas e levadas de volta ao passado, a partir dos anos 1920 do século XVIII.
Desdobrando-se em flashback a partir de 1960, o lírico e ricamente realizado Carruagens de Fogo cobre os cinco anos que antecedem os Jogos Olímpicos de 1924 e os efeitos sobre os três outsiders. O primeiro, o escocês pregador e filho de missionários Eric Liddell (Ian Charleson), um grande atleta cujos princípios religiosos o proíbem de correr aos domingos. O segundo, o grande corredor Harold Abrahams (Ben Cross), tratado com condescendência pelos professores anti-semitas da Universidade de Cambridge por sua descendência de imigrantes judeus e por sua vulgar ambição. O terceiro, Sam Mussabini, um paternal trabalhador, treinador de origem árabe-italiana, protege Abrahams; como um prenúncio de profissionalismo toca o sino da morte sobre a tradição da classe amadora. A partitura de Vangelis é o ritmo da bateria, o tom do filme é triste e premonitório.
Greystoke: A Lenda de Tarzan, O Rei das Selvas (1984) reserva seis décadas do primitivo filme Mim Tarzan, você Jane envolvido com o romance original de Edgar Rice Burroughs de 1912. Conta a história de como John Clayton, o futuro Conde de Greystoke, criado por símios na África, após a morte de seus pais num naufrágio, retorna à Inglaterra no final do século XIX para enfrentar a família aristocrática. Somente com o avô paterno (excelente desempenho de Ralph Richardson em sua última aparição no cinema) é que estabelece um vínculo amoroso que transcende o preconceito e a ignorância. Finalmente, regressa à África acompanhado do explorador belga (Ian Holm, como Mussabini em Carruagens de Fogo) que se transformou em seu pai substituto e da dedicada namorada Jane. Numa cena crucial, John abre uma nova ala do Museu de História Natural dedicado a Charles Darwin. Este é um filme de beleza trágica.
A mais complexa e sub-avaliada foto de Hudson, Revolução (1985) é uma obra prima imperfeita que acompanha o contrastante sucesso de três pessoas pegas pela turbulência social e política da Guerra da Independência americana, onde proliferam pais reais e substitutos e um colonizador britânico mata o pai para se tornar um novo republicano. Os verdadeiros rebeldes do filme são uma idealista da classe média de Nova York (Nastassja Kinski), que desafia os pais conservadores ao participar da revolução. Um analfabeto caçador de peles (Al Pacino) tenta não se envolver numa causa que não consegue entender e é enganado pelos dois lados e procura proteger o filho que lhe restou. Um autoritário sargento-major inglês (Donald Sutherland) tenta, ano após ano, fazer o seu dever e servir ao paternalista rei. Um colorido e irônico épico retrato sobre Griffith, DeMille e Brecht, foi cruelmente e casualmente descartado em 1986. Tal como aconteceu com o injustamente rejeitado filme de Michael Cimino O Portal do Paraíso, chegou o momento de Revolução receber o apreço que merece da audiência.
Desde Revolução Hudson fez somente mais três longas - o filme sobre problemas sociais De Volta para Casa (1989), único filme feito na América; a encantadora história sobre o rito de passagem Tempo da Inocência (1999), sobre crescimento numa excêntrica família escocesa de classe média alta; e África dos Meus Sonhos (2000), a verdadeira história, uma reminiscência de Entre Dois Amores, uma aventura de aristocratas italianos no Quênia. O novo projeto coloca Colin Firth e Geoffrey Rush numa versão cinematográfica de Homenagem à Catalunha, o clássico livro de memórias do antigo ex-aluno rebelde de Eton, George Orwell, sobre sua participação na Guerra Civil Espanhola. Em 1941, pouco tempo depois de Homenagem à Catalunha, Orwell escreveu: “a família cujo controle está nas mãos dos integrantes errados - talvez seja o mais próximo que se possa chegar para descrever a Inglaterra numa frase”. Poderia ser a epígrafe da obra de Hudson.

Philip French, Crítico de Cinema The Observer